Terça-feira, 3 de Junho de 2008
A Posta Mirandesa - Finalmente!
Ingredientes:
1,2 kg de carne de vitela mirandesa; sal grosso, de preferência integral (sem substâncias quimicas).
Preparação:
O lume das brasas deve estar forte no inicio. As brasas incandescentes devem estar distribuidas de forma regular no fogareiro ou lareira de forma a proporcionarem uma distribuição uniforme do calor. A grelha deve ser colocada a uma altura de cerca de 10 cm das brasas.
A carne deve ser cortada em postas com uma espessura de 3 a 4 cm (cerca de 300 g por posta).
Coloque a carne na grelha sem tempero nenhum. Após esta operação, e caso o deseje, tempere com sal grosso.
Volte a carne, sem espetar, quando aparecerem pequenas pérolas de sangue na superfície superior. O tempo que a posta está na brasa depende do seu gosto pessoal, consoante prefira a carne bem ou mal passada.
Para conservar a suculência da carne, esta não pode ser picada. Ao voltar a posta, o lume deve estar forte, para que se crie uma crosta que impeça a saída dos sucos. Contudo, esta crosta não deve ser espessa, porque senão o calor penetra na carne de forma deficiente e a posta acaba por ficar queimada por fora e mal grelhada por dentro.
Acompanhamento: batata cozida com casca e salada.


A parte a vermelha do animal , é a que deve ser utilizada.


A Carne Mirandesa é produzida nas pastagens naturais com composição floristica própria do nosdeste transmontano, numa região que situa acima dos 500 metros de altitude.
Estas pastagens têm o nome de lameiros.
Os animais que produzem a Carne Mirandesa , são obrigatóriamente de Raça Mirandesa, pelo que têm que estar inscritos no Livro Genealógico de Raça.
Para garantir a genuidade desta carne, criou-se um sistema de controle e certificação, que visa assegurar a rastreabilidade da Carne Mirandesa.





















publicado por aviajar às 14:45
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Mirandês "hai lhénguas que to Is dies renácen"
La Lhéngua Mirandesa, doce cumo ua meligrana, guapa i capechana, nun yê de onte, detrasdonte ou trasdontonte mas cunta cun uito séclos de eijistência. Sien se subreponer a la "lhéngua fidalga i grabe" l Pertués, yê tan nobre cumo eilha ou outra qualquiêra. Hoije recebiu bida nuôba.Saliu de l absedo i de l cenceinho an que bibiu tantos anhos. Deixou de s'acrucar, znudou-se de la bargonha, ampimponou-se para, assi, poder bolar, strebolar i çcampar l probenir. Agarrou l ranhadeiro para abibar l lhume de l'alma i l sangre dun cuôrpo bien sano.Chena de proua, abriu la puôrta de la sue priêça de casa, puso fincones ne l sou ser, saliu pa las ourriêtas i preinadas.. Lhibre, cumo l reoxenhor i la chelubrina, yá puôde cantar, yá se puôde afirmar. A la par de l Pertués, a partir de hoije, yê lhuç de Miranda, lhuç de Pertual.
Texto de Apresentação do Projecto Lei de reconhecimento dos direitos linguísticos da Comunidade Mirandesa.Assembleia da RepúblicaLisboa, 17 de Setembro de 1998
Hai lhénguas que to Is dies se muorren i hai lhénguas que to Is dies renácen.

(Há línguas que todos os dias se vão e há línguas que renascem dia a dia.)

Há línguas que morrem com o povo que as usava. Outras morrem de desprezo, repúdio, vergonha e abandono. E há algumas línguas, raras e exangues, que apesar disso se refazem, dia a dia, pessoa a pessoa, quando o seu povo descobre o valor dos símbolos próprios. Ou quando os seus falantes descobrem que a língua é o que sempre os une e o que pode fazer chegar a sua unicidade ao mundo.

Hai lhénguas cun sous scritores i hai lhénguas de cuntadores.
(Há línguas com seus escritores e há línguas de contadores.)

Há línguas que têm uma copiosa e bela literatura, escrita desde antigos tempos e sempre renovada, e há línguas que só têm literatura oral, com seus poetas, contadores, cantadores, rezadores – também ela vinda de antigos tempos e sempre renovada. Uma língua não necessita de ter escrita para ser considerada língua, tal como a literatura não tem que ter letras gráficas para ser literatura. Em qualquer altura a literatura oral pode ser transcrita. Em qualquer altura os poetas da oralidade podem deixar de improvisar de viva voz os seus poemas, ou de cantá-los, ou de recitá-los, para passarem a escrevê-los. A escrita é um valor de memória, um instrumento mais de comunicação à distància e um símbolo de uma dada civilização. Para a classificação de um idioma como "língua institucional" interessa na medida em que, unificando diversas pronúncias, mostra que um certo números de falares têm um sistema comum que os une – representando esse sistema a própria língua.
Hai lhénguas cun sous scritores i hai lhénguas de cuntadores.
(Há línguas com seus escritores e há línguas de contadores.)
Hai lhénguas que son de muitos, i hai lhénguas que poucos úsan.
(Há línguas que são de muitos, e há línguas que poucos utilizam.)


publicado por aviajar às 14:12
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008
Pauliteiros de Miranda "Beilais cousas tan bonitas"!
A origem da dança dos pauliteiros não recebe unânimidade dos estudiosos que sobre ela se debruçaram. O Padre João de Almeida Morais Pessanha e mais autores atribuem a sua origem à clássica dança pírrica, guerreira por excelência. A dança mirandesa dos paulitos teria origem na dança pírrica dos Gregos, mas manifesta também vestígios de danças populares do sul de França e na dança das espadas dos Suiços na idade média. Os Romanos seriam os responsáveis pela propagação da dança pírrica a esta região.
Dr José Leite de Vasconcelos não aceita esta teoria, justificando que a dança introduzida em Roma e despois espalhada pelo império, nada teria em comum com a dança pírrica. Na dança pírrica, os dançantes, com armas e escudo de pau,simulavam o ataque e a defesa na batalha, usavam túnicas vermelhas, cinturões guarnecidos de aço e os capacetes dos músicos eram emplumados. Os bailadores colocavam-se em duas filas e dançavam ao som da flauta.
O abade de Baçal vê muitas semelhanças entre esta dança e a dança dos pauliteiros, tal como a substituição das túnicas pelas saias, o escudo pelo lenço sobre os ombros, os chapéus enfeitados e a utilização da flauta pastoril. A pr´pria evolução da dança, parece ter semelhanças em várias partes com persegição, luta, saltos e dança de vitória.





Os instrumentos musicais utilizados nas danças dos Pauliteiros são : O tamboril é um pequeno tambor que se toca com duas baquetes. A Gaita de Foles é a clássica gaita pastoril ou gaita galega, mais estridente. A Flauta Pastoril monotubular de três buracos, em mirandês fraita é tocada só com três dedos duma mão, o polegar, o indicador e o médio. As castanholas são feitas à navalha e enfeitadas com desenhos .
Há estudiosos que veêm nos trajes actuais, saias e chapéus enfeitados, coletes e laços de linho, o fato do soldado greco-romano embora estilizado .



Nas danças, an Pertugal,
Num sodes bós is pormeiros?
Fazeis Marabilhas no lhaços

Que outros chaman "Pauliteiros"!
Furun is Celtas quien pormeiro,
Antes serdes cristanos,
Trouxe la gaita i las danças
De palicos nas dues manos.

Aquanto la gaita toca,
Caixa i bombo repenican,
Dançadores anfeitados
Passaiges d'la bida imitan.
I esses trajos tan pimpones
I esses palicos nas manos
Lhembran tamien qualquier cousa
Guerreros griêgos, romanos...
Tambien nos bailes antigos,
Cun moços i cum mocicas
I anté cun biêlhos i biêlhas
Beilais cousas tan bonitas.

In "Miranda Yê La Mie Tiêrra"

José Francisco Fernandes



publicado por aviajar às 12:07
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008
MIR ANDUL (Miranda do Douro)
Miranda do Douro é uma cidade rodeada pelo Parque Natural do Douro Internacional, tem raizes Celtas e foi ocupada por Romanos, no século VII os àrabes chamavam-na por "Mir Andul".
Pela sua localização fronteiriça D. Afonso Henriques, manda construir um castelo, do qual ainda se pode observar vestigios. Perduram ainda uma parte da Cidadela e algumas muralhas.
Pode-se admirar a Sé de grande envergadura, que foi edificada na segunda metade do século XVI. Na Sé Catedral conserva-se um magnifico orgão da época joanina.
Há também na Sé uma singularidade que é a ingénua imagem do Menino Jesus da Cartolinha, datado de meados do século XIX, mas que corporiza uma lenda que remonta à época da Guerra da Restauração (século XVII) durante a qual um rapazinho de espada em punho ( despois foi identificado por Menino Jesus) andou a percorrer as ruas da cidade atiçando a coragem dos seus moradores, para fazerem frente aos espanhois.
O Paço Episcopal, pouco depois de ser construido, foi vitima de incêndio em 1706, restando sómente o andar térreo com uma arcada.


Há a registar na rua da Costanilha, casas quinhentistas que se conservam em bom estado. Entre elas sobressai uma moradia toda em pedra com janelas geminadas e cachorros medievais esculpidos em granito.

A velha Casa da Câmara alberga o Museu da Terra de Miranda,criado em 1982 pelo padre António Mourinho.

Além desta riqueza cultural de Miranda do Douro há mais pontos de interesse tais como a lingua falada e escrita - Mirandês , o folclore através dos Pauliteiros com o seu traje típico de saias, que tem como acompanhamento musical a gaita de foles (herança da ocupação Celta) e no aspecto gartronómico há a celebre posta Mirandesa. Estes três pontos irão ser referidos noutros posts a publicar brevemente.



publicado por aviajar às 17:48
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008
Vila Flôr Terra Quente Transmontana
Situada no Distrito de Bragança, está a 700 metros de altitude,Vila Flôr está no coração da Terra Quente Transmontana, tem características próprias a nivel de climático e geológico. O clima varia um pouco, na zona montanhosa, onde predomina o frio no Inverno com neve e gelo, enquanto junto ao Tua e no Vale da Vilariça predomina um clima mais quente.No plano geológico o solo está numa zona transitória entre o Xisto (Tua e Vale da Milhariça) e o Granito (zona montanhosa).
Vila Flôr povoada desde a época do Bronze,teve Foral concedido por D.Diniz em 1286, (segundo a tradição D.Diniz, quando jovem , a caminho de Miranda ao visitar a sua noiva , Isabel de Aragão, para descansar da viagem parou nesta zona e devido à beleza do grande numero de flores campestres existentes na "Póvoa de Alèm " (primeiro nome deste zona com habitantes), rebaptizou-a por Vila Flôr.
Por volta de 1295 manda erguer em roda da vila, para protecção das imvasões vinda de Castela, uma muralha com cinco portas.
Restando actualmente só o arco de D.Diniz.
Os recursos monumentais são interessantes, tais como o Solar dos Aguilares, o Solar de Araújo Leite, o Solar dos Condes de Sampaio, Casa Residência Paroquial, o Solar dos Capitâes-Mores, o Solar dos Visconde Lemos, o Solar dos Lemos, o Solar e Brasão de Cid Leite Pereira, a Igreja Matriz.



Actualmente a ser utilizado como Biblioteca e Museu Municipal, está o Solar dos Aguilares. O Museu Drª Berta Cabral, fundado em 1958 por Raúl de Sá Correia, antigo secretário da Câmara Municipal e director do Museu até 1993,ano da sua morte. Antigo Solar dos Aguilares (primeiros donatários de Vila Flôr) e antigos Paços do Concelho, o edifício do século XIII, tem as suas armas reais na fachada principal e a flôr de Liz (simbolo da vila) e as armas dos Aguilares (duas àguias) na fachada do poente.


Vila Flôr tem como património paisagistico a vistar o complexo do Peneireiro com parque de campismo,parque merendas,barragem,um pequeno Zoo com espécies da zona (pombos,perdizes,galos,faisões,pavões e àguias), piscina.
Fraga do Ovo - Candoso (curiosidade da natureza - uma pedra permanece supensa e imóvel no meio de uma base granítica e tem a forma de um "Ovo"). Há também os Miradouros de Nossa Senhora da Lapa (Vila Flôr) e o de Nossa Senhora da Assunção (Vilas Boas) onde se posde vislumbrar panorâmicas impressionantes.










publicado por aviajar às 17:15
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Castelo Rodrigo
Com o nome do seu fundador, Conde Rodrigo Gonzalez de Giron, que recebeu de doação, por Afonso IX de Leão, a povoação de Castelo Rodrigo passa para a coroa portuguesa, no tempo de D.Diniz.


O Brazão desta aldeia, tem a originalidade, de as armas de Portugal estarem representadas em posição invertida.

Esta situação deve-se à seguinte história:


"D. Beatriz, única filha de D. Fernando de Portugal, estava casada com o rei de Castela. Por morte de seu pai, e com a subida ao trono, Portugal perderia a sua independência, a favor de Castela. Os Senhores de Castelo Rodrigo tomaram partido por D. Beatriz, mas não contaram que D. João , Mestre de Avis,viesse a vencer os castelhanos na Batalha de Aljubarrota em 1385. Coroado rei de Portugal D.João I não perdou e mandou que as armas de Portugal fossem representadas em posição invertida" .

No século XVI, Filipe II de Espanha, anexou a coroa Portugesa, A Nobreza aliou-se ao novo rei, como foi o caso de Cristovão de Mora, governador de Castelo Rodrigo.


Logo que a noticia da Restauração em 1 de Dezembro de 1640, a população que não gostava do domínio Castelhano, e como vingança pegou fogo ao palácio de Cristovão de Mora.

Deste episódio ficaram as ruinas do palácio que podem ser visitadas actualmente.


publicado por aviajar às 17:31
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