Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Mirandês "hai lhénguas que to Is dies renácen"
La Lhéngua Mirandesa, doce cumo ua meligrana, guapa i capechana, nun yê de onte, detrasdonte ou trasdontonte mas cunta cun uito séclos de eijistência. Sien se subreponer a la "lhéngua fidalga i grabe" l Pertués, yê tan nobre cumo eilha ou outra qualquiêra. Hoije recebiu bida nuôba.Saliu de l absedo i de l cenceinho an que bibiu tantos anhos. Deixou de s'acrucar, znudou-se de la bargonha, ampimponou-se para, assi, poder bolar, strebolar i çcampar l probenir. Agarrou l ranhadeiro para abibar l lhume de l'alma i l sangre dun cuôrpo bien sano.Chena de proua, abriu la puôrta de la sue priêça de casa, puso fincones ne l sou ser, saliu pa las ourriêtas i preinadas.. Lhibre, cumo l reoxenhor i la chelubrina, yá puôde cantar, yá se puôde afirmar. A la par de l Pertués, a partir de hoije, yê lhuç de Miranda, lhuç de Pertual.
Texto de Apresentação do Projecto Lei de reconhecimento dos direitos linguísticos da Comunidade Mirandesa.Assembleia da RepúblicaLisboa, 17 de Setembro de 1998
Hai lhénguas que to Is dies se muorren i hai lhénguas que to Is dies renácen.

(Há línguas que todos os dias se vão e há línguas que renascem dia a dia.)

Há línguas que morrem com o povo que as usava. Outras morrem de desprezo, repúdio, vergonha e abandono. E há algumas línguas, raras e exangues, que apesar disso se refazem, dia a dia, pessoa a pessoa, quando o seu povo descobre o valor dos símbolos próprios. Ou quando os seus falantes descobrem que a língua é o que sempre os une e o que pode fazer chegar a sua unicidade ao mundo.

Hai lhénguas cun sous scritores i hai lhénguas de cuntadores.
(Há línguas com seus escritores e há línguas de contadores.)

Há línguas que têm uma copiosa e bela literatura, escrita desde antigos tempos e sempre renovada, e há línguas que só têm literatura oral, com seus poetas, contadores, cantadores, rezadores – também ela vinda de antigos tempos e sempre renovada. Uma língua não necessita de ter escrita para ser considerada língua, tal como a literatura não tem que ter letras gráficas para ser literatura. Em qualquer altura a literatura oral pode ser transcrita. Em qualquer altura os poetas da oralidade podem deixar de improvisar de viva voz os seus poemas, ou de cantá-los, ou de recitá-los, para passarem a escrevê-los. A escrita é um valor de memória, um instrumento mais de comunicação à distància e um símbolo de uma dada civilização. Para a classificação de um idioma como "língua institucional" interessa na medida em que, unificando diversas pronúncias, mostra que um certo números de falares têm um sistema comum que os une – representando esse sistema a própria língua.
Hai lhénguas cun sous scritores i hai lhénguas de cuntadores.
(Há línguas com seus escritores e há línguas de contadores.)
Hai lhénguas que son de muitos, i hai lhénguas que poucos úsan.
(Há línguas que são de muitos, e há línguas que poucos utilizam.)


publicado por aviajar às 14:12
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